domingo, 18 de janeiro de 2009

Cartão de ponto, ponto eletrônico e afins

Caríssimas amigas e amigos, recentemente participei de debate informal com alguns servidores públicos sobre a (in)eficiência das formas de controle de horário dos servidores atualmente existentes nos diversos órgãos do serviço público. A opinião predominante foi a de que esses controles são pouco efetivos, vistos com antipatia pela maioria dos servidores e, ainda, são facilmente contornáveis por quem desejar se ausentar um pouco antes ou chegar um pouco depois do horário pré-estabelecido.

Colocar um leão-de-chácara em cada repartição também não parece adequado. Então, o que fazer para lidar melhor com essa questão da permanência do servidor no local de trabalho? Uma proposta interessante que surgiu durante o debate foi a possibilidade de se estabelecer metas de produtividade individuais e por setor que, uma vez cumpridas, dessem ao servidor e ao setor em que trabalha condições de atuar com maior flexibilidade com relação ao horário de serviço. Para isso não se tornar um caminho fácil para a ociosidade, seria necessário estabelecer regras para o caso de não serem atingidas as metas determinadas. E padrões mínimos de operação para o servidor e o setor.

Um exemplo seria: o setor tem a meta de resolver 100 processos por mês. Cada servidor tem a meta de resolver 15 por semana. Em um mês no qual determinado funcionário vá tirar férias, o setor continua com sua meta mantida, logo os outros servidores devem atuar para dar andamento àqueles processos. Não é o que se vê hoje, quando muitas vezes, se um servidor não está presente, o processo não anda, pois "é ele quem está cuidando". Aí começaríamos a criar uma cultura de compartilhamento da informação dentro do serviço público.

Outro caso: se o servidor tiver atingido sua meta e o seu setor estiver em déficit, ele deve colaborar para que o setor atinja seus objetivos. Uma vez estando o setor e o servidor com as metas cumpridas, aí sim poderia ser flexibilizado o horário do servidor até o início do próximo mês, desde que o setor contasse com pessoal suficiente para o atendimento das novas demandas.

É uma sugestão a ser pensada, criticada e trabalhada.

4 comentários:

Anônimo disse...

Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo seu blog e a exposição de suas idéias. Concordo com muitas das coisas ditas neste tópico, entretanto, acredito que sempre haverá o jeitinho brasileiro de alterar as regras do jogo. Trabalho na PGR e lá é utilizada a catraca eletrônica, que, por sinal. adorei a sua implatação. Gosto não por ser um fiscal eletrônico rígido, mas pq me permite trabalhar as 7 horas diárias e, caso eu tenha que ultrapassar alguns minutos, posso compensar no dia seguinte. Nada mais justo.

André Dutra disse...

Realmente é o terror de muitos funcionários!
Sempre fui favorável à implementação de metas no setor público, uma coisa a la Estados Unidos, onde o bom funcionário tem mais facilidade de ser beneficiado e reconhecido, a despeito do mau funcionário.

A flexibilidade de horário relacionada à produtividade do funcionário traz uma grande vantagem para o órgão e para o trabalhador, já que este passa a ter maior autonomia no que tange ao seu trabalho específico e exaure menos recursos públicos para resolver sua vida pessoal, como telefonemas e horas de trabalho ociosas na internet, bancos e outros...

Excelente post, grande abraço!

rc disse...

Sem prejuízo do estabelecimento de metas mais concretas, é possível, sim, fazer o controle de ponto de maneira minimamente eficaz. Órgãos públicos - cito o caso do IBGE, por depoimentos de amigos - fazer o controle com resultados bastante razoáveis.
Não concordo com o argumento freqüente da "antipatia" - trata-se de um procedimento simples e nada invasivo, que pode ser viabilizado por cartão eletrônico ou digital, por exemplo - nem com o de que "não adianta trabalhar oito horas (ou seis ou sete) se não há nada para fazer". Esta não é uma decisão que caiba ao servidor, nem ao seu superior. O servidor insatisfeito por não fazer nada deve dirigir-se ao seu chefe ou a outros órgãos internos para que tal situação seja corrigida e não "consertá-la" trabalhando menos horas.
Não digo isso como paladino da moral. Sei que na prática a teoria é outra, mas é preciso ter bem claros alguns conceitos e valores, para a partir daí buscar soluções que atendam ao interesse público e não interesses particulares.
Abraços,

ARTUR MARCIANO disse...

Um aspecto que não vejo contemplado em debates sobre a matéria em foco é a reunião do interesse público ao interesse do servidor público. Ambos, a meu ver, são tratados como elementos adjacentes à questão eleita como principal, qual seja: o controle.

Os grupos que controlam a administração de órgãos públicos tendem a apropriar-se, não apenas do que deveria ser o 'interesse público' (que, em verdade, trata-se do interesse privado ou oligárquico aplicado a uma suposta vontade da coletividade), mas apropriam-se dos recursos humanos públicos, isto é, da força de trabalho dos funcionários.

Assim, sente-se falta de um comprometimento institucional em prol da melhor opção (relação custo/benefício; eficiência; satisfação dos trabalhadores do Estado), a qual deve ser discutida pelas partes interessadas, sem distinção de hierarquia.