Ainda iniciando a vida adulta, a vontade de ser DJ e participar ativamente da vida cultural da nossa cidade já era grande. No ano de 2000, eu apenas estudava, e achei interessante ver o trabalho de alguns colegas de faculdade, que trabalhavam com divulgação e panfletagem de eventos e atuavam como comissários de festas. Apesar de não me achar nada bonito, nem popular, pedi a esses colegas que me dessem o "caminho das pedras" para atuar na área. Sem muito dinheiro, divulgar eventos era a forma ideal para, com uma boa frequência, conseguir assistir performances dos DJ's que eu sempre ouvia pelo rádio, além de presentear a namoradinha com uma entrada da festa. Foi aí que fui apresentado ao empresário Ronald de Carvalho, que foi um dos principais responsáveis por gerenciar o sucesso da banda local (que depois alçou vôos nacionais) "Batom na Cueca", sensação junto ao público jovem de Brasília no início da década.
Como panfleteiro e comissário da banda, eu participei de um time que divulgava as festas pelos vários cantos da cidade, sempre com alegria e sem prejudicar os estudos, que eu levava adiante na parte da noite. Foi quase um ano nesse meio, até começar a trabalhar no Banco do Brasil e começar a ter responsabilidades que não me permitiam mais atuar como colaborador. Mas a "mosquinha" já havia me picado: em 2002, eu iniciava minha carreira de DJ pela noite da cidade.
Perdi o contato com o Ronald, mas acabava o encontrando e cumprimentando com deferência em seus empreendimentos pela cidade. Bastava ir em qualquer bar ou boate que ele abrisse para encontrá-lo por lá, se divertindo e recebendo os convidados com tal alegria e tranquilidade que era impossível perceber o "olho do dono", olhar atento do administrador dedicado que lá estava a gerenciar de perto os seus negócios.
Pelos anos de 2005 e 2006, soube que estava sofrendo de esclerose múltipla, motivo pelo qual o vi de muletas e cadeira de rodas. Mas o administrador, assim como em seus negócios, soube gerenciar, com o "olho do dono" da sua vida, a doença, e hoje, mesmo com as dificuldades de locomoção que a doença lhe trouxe, continua um empresário de ainda maior sucesso, engajado na defesa da acessibilidade aos portadores de deficiência.
Unindo a sua área de atuação profissional e a sua história de vida pessoal, criou o site do movimento Vem pra vida, vem viver, destinado a divulgar os eventos que se preocupam com a questão da acessibilidade. Também está apresentando um programa de TV, o Acessibilidade e Entretenimento, exibido aos sábados, às 14h45, na TV Brasília, além de capitanear iniciativas - às quais acabo de aderir - como a multa cidadã (para ser deixada nos carros que param irregularmente em vagas destinadas a portadores de necessidades especiais) e a notificação cidadã, para ser deixada em estabelecimentos sem estrutura adequada para receber o público PNE. Para conhecer um pouco mais da história do Ronald, clique aqui.
