domingo, 8 de novembro de 2009

Acessibilidade e entretenimento

Ainda iniciando a vida adulta, a vontade de ser DJ e participar ativamente da vida cultural da nossa cidade já era grande. No ano de 2000, eu apenas estudava, e achei interessante ver o trabalho de alguns colegas de faculdade, que trabalhavam com divulgação e panfletagem de eventos e atuavam como comissários de festas. Apesar de não me achar nada bonito, nem popular, pedi a esses colegas que me dessem o "caminho das pedras" para atuar na área. Sem muito dinheiro, divulgar eventos era a forma ideal para, com uma boa frequência, conseguir assistir performances dos DJ's que eu sempre ouvia pelo rádio, além de presentear a namoradinha com uma entrada da festa. Foi aí que fui apresentado ao empresário Ronald de Carvalho, que foi um dos principais responsáveis por gerenciar o sucesso da banda local (que depois alçou vôos nacionais) "Batom na Cueca", sensação junto ao público jovem de Brasília no início da década.

Como panfleteiro e comissário da banda, eu participei de um time que divulgava as festas pelos vários cantos da cidade, sempre com alegria e sem prejudicar os estudos, que eu levava adiante na parte da noite. Foi quase um ano nesse meio, até começar a trabalhar no Banco do Brasil e começar a ter responsabilidades que não me permitiam mais atuar como colaborador. Mas a "mosquinha" já havia me picado: em 2002, eu iniciava minha carreira de DJ pela noite da cidade.

Perdi o contato com o Ronald, mas acabava o encontrando e cumprimentando com deferência em seus empreendimentos pela cidade. Bastava ir em qualquer bar ou boate que ele abrisse para encontrá-lo por lá, se divertindo e recebendo os convidados com tal alegria e tranquilidade que era impossível perceber o "olho do dono", olhar atento do administrador dedicado que lá estava a gerenciar de perto os seus negócios.

Pelos anos de 2005 e 2006, soube que estava sofrendo de esclerose múltipla, motivo pelo qual o vi de muletas e cadeira de rodas. Mas o administrador, assim como em seus negócios, soube gerenciar, com o "olho do dono" da sua vida, a doença, e hoje, mesmo com as dificuldades de locomoção que a doença lhe trouxe, continua um empresário de ainda maior sucesso, engajado na defesa da acessibilidade aos portadores de deficiência.

Unindo a sua área de atuação profissional e a sua história de vida pessoal, criou o site do movimento Vem pra vida, vem viver, destinado a divulgar os eventos que se preocupam com a questão da acessibilidade. Também está apresentando um programa de TV, o Acessibilidade e Entretenimento, exibido aos sábados, às 14h45, na TV Brasília, além de capitanear iniciativas - às quais acabo de aderir - como a multa cidadã (para ser deixada nos carros que param irregularmente em vagas destinadas a portadores de necessidades especiais) e a notificação cidadã, para ser deixada em estabelecimentos sem estrutura adequada para receber o público PNE. Para conhecer um pouco mais da história do Ronald, clique aqui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dia do Servidor Público

Exceto pelo merecido dia de descanso aos homenageados, antecipado para o dia 26 ou adiado para o dia 30, o último dia 28, dedicado ao servidor público, passou em branco para a maior parte da população. Pouco se comentou a respeito na mídia em geral. Meu pai, que é servidor aposentado, estranhou a falta de qualquer informação a respeito e me perguntou se haviam esquecido do dia do servidor.

É necessário reconhecer o esforço em prol dos servidores que vem sendo desenvolvido pelo Presidente Lula em seu segundo mandato, quando passou a mencionar com frequência em seus discursos a qualidade dos servidores públicos do nosso país, dedicando bastante atenção à gestão pública e às dificuldades encontradas por servidores e população atendida. No entanto, não obstante a enorme popularidade do Presidente emprestada à classe dos servidores, a população ainda não enxerga o servidor público como seu aliado.

Em parte, tem responsabilidade a gestão, quando prioriza assessores e boa estrutura em gabinetes perto do Poder e coloca alguns quadros sem vocação para a função no atendimento ao público, realizado em estrutura precária. Não há como a população ficar feliz com o atendimento recebido quando espera em pé, numa fila, por horas a fio, por falta de servidores para atendê-la, sem local para sentar, sem água para beber e, muitas vezes, sem ventilação adequada.

Também há a responsabilidade dos detentores de posições de mando, como ocupantes de altos cargos ou mandatos, quando, em vez de utilizar servidores concursados ou comissionados com bom salários para exercer suas funções técnicas, os colocam para exercer funções de seu interesse particular, desde fotocopiar documentos particulares e agendar consultas médicas a acompanhar o filho da autoridade na busca por um estágio ou editar o seu currículo.

A imprensa, apesar do seu valoroso papel em denunciar essas falhas, peca por omitir, algumas vezes, as dificuldades pelas quais passam os servidores realizar o seu trabalho. Existe servidor que já não ganha muito, e ainda tira dinheiro do próprio bolso para dar efetividade a ações do seu órgão, sem recursos, por exemplo, para custear a gasolina necessária ao deslocamento para entregar documentos de cidadãos em uma cidade mais afastada. Há bons exemplares da categoria por aí que, nesses casos, usam os próprios veículos, fora do horário de trabalho, sem qualquer ressarcimento, para que os documentos possam chegar aos seus destinatários. Também há o mito do inchaço da máquina pública, que, se verdadeiro com relação a certos cargos de confiança onde nunca se vê o titular e cargos de áreas que não atendem à população, é falacioso com relação aos cargos que prestam serviço direto aos cidadãos, onde falta gente.

É responsabilidade, também, de muitos servidores, que preferem assessorar uma autoridade a fazer a parte mais pesada do atendimento ao público. Não os responsabilizo totalmente, já que, por uma opção de gestão, não costuma haver incentivos profissionais ao servidor que se dedica a esse atendimento, como mencionado anteriormente.

De qualquer forma, a grande parte dos milhares de servidor públicos, civis e militares, presta valorosa contribuição à população brasileira. O seu dia deve ser comemorado, apesar das dificuldades abordadas aqui. Talvez seja o momento de os governos investirem em publicidade institucional para valorizar o servidor. Logo eu, que sou contrário à publicidade governamental da forma como é mais amplamente usada (para destacar realizações, que acabam, mesmo que veladamente, por valorizar determinados gestores públicos) - que me desculpem os meus colegas de formação. As verbas de publicidade governamental, a meu ver, deveriam ser reduzidas, e a forma da publicidade governamental deveria ser alterada. Ela deveria ser utilizada apenas para campanhas de conscientização (caso das propagandas sobre sobre a questão do trânsito e contra as drogas), informação (a exemplo do que ocorreu na divulgação de informações sobre a gripe suína) e divulgação do papel das instituições governamentais, de modo a esclarecer sua atividade para a população. Mas isso é assunto para outra postagem. O que quero dizer é que, apesar de minha posição de restrições com relação à publicidade governamental, acredito que uma campanha para valorizar a imagem e conscientizar a população a respeito do papel do servidor público se encaixaria perfeitamente nessa terceira possibilidade que mencionei. A publicidade institucional a esse respeito passaria a ajudar a população a enxergar o servidor como uma pessoa que está ali para ajudá-la, e, até mesmo pela consequente aproximação que iria gerar, serviria para incentivá-la a cobrar do servidor o bom desempenho das suas tarefas.

Em vez de clientes, inimigos

É isso que podem acabar ganhando os donos de empresas que optarem por mandar deixar panfletos nos parabrisas de veículos nessa época de chuva. Quando o panfleto não é de boa qualidade, se molha com a chuva e o dono do carro não se atenta em retirá-lo, ocorre um verdadeiro "transfix", similar àquelas tatuagens de chiclete, quando o papel vai secando. Resultado: o possível futuro cliente vai ficar p. da vida com o responsável pelo anúncio que ele vai ser obrigado a ostentar "tatuado" no vidro do carro até a próxima lavagem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Universidade de recuperação

Em meio a Enem, avaliações do MEC, descredenciamento de faculdades e coisas do gênero, renomada instituição de ensino superior de Brasília lançou uma campanha publicitária em busdoor onde aparece a foto de um jovem com a frase "Todo mundo anda atráz de reconhecimento".... Confesso que essa parte da reforma ortográfica eu ainda não conhecia.

A necessária transparência do horário de funcionamento

Sempre fui daqueles que defende muito a existência de uma função social, mesmo para os estabelecimentos comerciais. Ora, se a farmácia está lá, é para fornecer lucro ao seu proprietário que presta um serviço de venda de medicamentos à sociedade. O restaurante existe para que o seu proprietário obtenha o seu sustento e lucro oferecendo alimentação por determinado preço à sociedade. Logo, o estabelecimento comercial não existe por si só, sem a participação (e o consumo) da sociedade. Por isso, acredito que deve haver algum tipo de responsabilidade do comerciante para com a população, além do oferecimento de um serviço de qualidade. Um ponto importante seria a divulgação, de maneira clara e ostensiva, do horário de funcionamento do estabelecimento. E, divulgado o horário, que o estabelecimento estivesse vinculado ao seu cumprimento. O que mais tenho observado nas minhas andanças de notívago obrigatório (já que curso uma faculdade à noite) é a falta de respeito à plaquetinha de horário de funcionamento, quando ela existe. Fui a uma hamburgueria da cidade às 22h, outro dia desses. Gostei do sanduíche e do atendimento. Perguntei, então, à garçonete, qual era o horário de funcionamento, ao que ela respondeu: todos os dias, até a 1h da manhã. Chegando lá novamente no último sábado, à meia-noite em ponto e com a casa movimentada, esperei sentado por cerca de 10 minutos para ver se alguém se dignava a me atender. Minha esposa, então, foi à procura do gerente, que informou a ela que a lanchonete já havia encerrado o expediente. Nem a lógica do "movimento" anda mais sendo respeitada. Um exemplo banal desses, que não me trouxe prejuízo algum além da vontade reprimida de saborear um milk shake, serve para exemplificar a falta de respeito de alguns maus comerciantes com o público, o que é assunto recorrente aqui no blog. Se eu, do alto da minha "zona de conforto", me sinto desprestigiado, imagine quem pega um ônibus para ir à farmácia "aberta até as 23" em busca de um medicamento para aliviar sua dor e se depara com as portas fechadas às 22h45...