Queridos amigos e amigas,
É muito bom poder me dedicar a escrever algumas palavras a vocês novamente. Creio que nossos encontros se darão de forma menos esporádica, já que finalmente entrei de férias da faculdade. Ainda não sei minhas notas, mas espero ter conseguido aprovação em todas as matérias. Mas chega de conversa e vamos ao que interessa!
Hoje gostaria de abordar um tema sobre o qual nunca tratei antes, mas já deveria tê-lo feito: a questão da higiene. E o que me motiva a escrever sobre o assunto são duas questões: a educação que tive em casa e na escola, em contraste com o que tenho visto acontecer em banheiros de locais públicos atualmente.
Quem conhece minha mãe, Dona Neíse, sabe que ela tem enorme preocupação (já difundida pelo folclore familiar) com tudo o que diz respeito à higiene. Fui ensinado desde pequeno a lavar as mãos ao sair do banheiro, ao chegar da rua, antes das refeições e do manuseio de qualquer alimento. Tudo isso fruto do intenso trabalho de educação sanitária doméstica realizado pela Dona Neíse, trabalho esse que ultrapassou fronteiras e hoje está em nível comercial, servindo ao zelo pela saúde dos clientes de sua lanchonete.
Lembro que a higiene não guarda relação com classe social, e sim com a educação. Posso até me arriscar a afirmar que a professora de escola pública tem as mesmas condições de ensinar sobre a necessidade de lavar as mãos com sabão que tem a professora de escola particular. A mãe de baixa renda tem também essa mesma possibilidade, frente a uma mãe mais abastada. Vejo pessoas saírem do banheiro sem lavar as mãos, ou o fazendo só com água (o que não mata germe algum, pelo contrário), independentemente de seu grau de instrução ou quantidade de dinheiro na conta bancária.
Ou seja, milhares de pessoas, de todas as camadas sociais, adquirem infecções intestinais e outras patologias devido a uma falta de hábito crônica, um descuido na educação. Ao não utilizar o sabão após o uso do banheiro, a pessoa manuseia alimentos com todas as bactérias com as quais teve contato no momento anterior. Se o alimento for consumido só por ele, o mal atinge apenas uma pessoa. E se ele for o cozinheiro de um restaurante? Afetará a ele e espalhará o mal numa progressão assustadora. Resultado: pessoas doentes, com a qualidade de vida prejudicada, mais idas ao hospital, mais faltas ao serviço. Ou seja, o cuidado com a higiene, além de trazer benefício social, importa também em maior produtividade ao empresário, que verá menos funcionários ausentes ao serviço. Tem coisa melhor que a higiene, então?
E por que então não divulgar campanhas massivas de educação em higiene? Fora algumas tentativas esparsas com matérias em jornais e revistas e um ou outro programa televisivo que ensina boas dicas, geralmente em caráter técnico e não contextualizado, tanto o governo como grandes setores do empresariado e da mídia parecem lavar as mãos a respeito.

