quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A péssima qualidade do atendimento em Brasília e a dissonância cognitiva

Caríssimos leitores, o que vou falar aqui não é nenhuma novidade: vivemos numa cidade de elevado custo de vida. Aqui paga-se caro para ter uma vida social razoável, indo a bons restaurantes, bares, enfim, vivendo aquela vidinha de consumo permitida ao cidadão de classe média. A mercadologia e a psicologia explicam a reação do ser humano à sensação desagradável que se tem ao empreender um grande esforço (inclusive financeiro) para a aquisição de um produto ou serviço e, ao receber a contraprestação, deparar-se com algo defeituoso ou aquém do desejado: em muitos casos, gera-se a dissonância cognitiva, quando o indivíduo tenta mascarar as falhas do que adquiriu ou consolar-se com aquilo que lhe foi oferecido. Busca-se uma outra realidade para evitar a frustração inevitável de não ter aquilo que tanto se esperou.

Agora, novamente algo que não é novidade: o atendimento ao público e a qualidade da prestação de serviço em Brasília são, em regra, péssimos. Talvez seja um fenômeno comum em locais com forte tradição de funcionalismo, em detrimento do comércio e da indústria. Mas o que se vê hoje é o atendimento no serviço público melhorando a cada dia, com a renovação dos seus quadros. Enquanto isso, a qualidade do atendimento na iniciativa privada não acompanha o ritmo. A iniciativa privada criou uma série de argumentos burocráticos para espelhar uma qualidade muitas vezes inexistente: prêmios de qualidade, ligações para averiguar a satisfação, fichas para sugestões, e-mails para contato, reclamações via Internet... iniciativas mais do que válidas, sim, desde que efetivas.

O consumidor continua sendo o elo fraco da corrente. Afinal, você tem coragem de reclamar para o garçom que irá trazer a sua comida sobre o atendimento que ele está prestando? Darei alguns exemplos que vivi recentemente: pizzaria renomada da cidade, domingo à noite. Não preciso dizer que os garços passavam perto da mesa apenas de 15 em 15 minutos, e a minha família tinha praticamente que pedir por favor, chamar, acenar, gritar, para que algum viesse ao nosso socorro. Quando vinham, eram educados, tratavam com cordialidade (o que já é nota mil), mas o rapaz, com boa vontade, chegou a anotar o pedido na mão porque estava sem bloquinho. Pura falta de gestão. Posso contar outra? O caso do garçom que nos trouxe as colheres coçando o nariz e o ouvido, numa igualmente pretensa casa sofisticada e tradicional de frutos do mar da cidade, onde se paga caro por uma refeição familiar.

Enfim, me faço algumas perguntas: 1) Será que o empresário brasiliense está acostumado a ganhar dinheiro fácil, sem investir em treinamento de funcionários e supervisão do negócio? Se for isso, o que se dirá então da qualidade e da higiene no preparo dos alimentos? 2) Será que estamos oferecendo e recebendo educação dentro dos nossos lares? Pergunto isso porque em alguns casos a coisa beira a falta de educação familiar. 3) O cidadão brasiliense de classe média é acomodado e não sabe reclamar por um serviço decente ou deixar de consumir no local que não atende bem?

Ou será tudo isso junto? Haja dissonância cognitiva para acreditarmos que estamos sendo bem recompensados pelo gasto que fazemos em nossos momentos de entretenimento, nos ditos "ambientes requintados da capital". Basta ir a cidades como Goiânia e Recife para ver que, por lá, quem não oferece bom atendimento, não se estabelece. Mas aqui...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Prêmio Osíris Del Corso - Embaixador da Paz

O Rotaract Clube de Magé-RJ, com apoio da família do homenageado, teve a iniciativa de promover o Prêmio Osíris Del Corso - Embaixador da Paz, que reunirá artigos acadêmicos (enviados por qualquer cidadão) e redações (apenas para estudantes de ensino médio) sobre temas como segurança e paz, que devem ser enviados até 1º de agosto. Os vencedores na categoria artigos receberão premiação em dinheiro e, na categoria redações, ítens bem bacanas como um notebook e uma câmera digital. Mas isso não é nada perto da bonita história de quem dá nome ao prêmio. Osíris era um jovem ligado às causas sociais, membro de uma família paranaense de valores sólidos, que inclusive já residiu aqui em Brasília. Infelizmente, um bandido inescrupuloso levou a vida de Osíris, que tentava defender sua namorada, quando ambos foram abordados durante uma trilha no litoral paranaense. Ficam aqui nossas sinceras homenagens a um jovem de fibra e de luta que jamais deixou de defender os seus ideais. Quem desejar conhecer um pouco mais sobre a história de Osíris e sobre o prêmio que leva o seu nome pode acessar o site www.premioosirisdelcorso.org.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Notas de rodapé" na publicidade de TV

Todos nós vemos diariamente dezenas de propagandas com promoções, e ao final, por uns 3 segundos na tela, umas letrinhas mínimas com o regulamento da promoção, detalhes, custos adicionais, autorização etc. Sinceramente, por mais aguçada que seja a visão do cidadão, e por maior que seja a tela da TV, será que ele consegue ler aquilo? Para o cidadão médio, então, com visão normal e TV de 20 polegadas, fica impossível fazê-lo sem usar alguma técnica de congelamento e ampliação da imagem. Logo, os motivos da determinação para que aquelas informações sejam divulgadas se torna inalcançável. Afinal, se existe essa determinação, é para que o consumidor consiga ter acesso àquelas informações, correto? Num anúncio de revista, ótimo, o cidadão que se interessar pode ler as letrinhas miúdas com mais atenção. Mas, e na TV? Aí todos fingem que está tudo certo: o anunciante e agência fingem ter cumprido com a sua função de informar sobre os regulamentos da promoção, as entidades fiscalizadoras fingem que está tudo a contento e o cidadão/consumidor finge que, se quisesse, teria realmente lido aquelas informações. Pelo visto, será necessário legislar para exigir um tamanho de fonte razoável em lugar das letrinhas miúdas nas propagandas de TV. No rádio, por outro lado, os spots publicitários pouco ou nada informam sobre esses regulamentos. Não sou favorável a isso, também. Querem um meio-termo aceitável? Que em ambos, TV e rádio, em vez das letrinhas miúdas na primeira e da ausência de dados neste último, se coloque, em bom tamanho: Informações sobre a promoção: www.nomedaempresa.com.br/promocao, ou pelo telefone 0800-123456, ou, presencialmente, nas lojas da empresa. O que vocês acham?

Desenferrujando...

Pois é, meus amigos... realmente sumi por um bom tempo. A última postagem, datada do mês de abril, não me deixa mentir. Foram muitas as razões. Em primeiro lugar, me fazendo valer da mesma razão que, segundo li em algum jornal, fez Chico Anysio deixar de escrever em seu blog, também resolvi, por algum tempo, deixar de fazer as coisas que não eram obrigação, mas me ocupavam por um tempo considerável. O blog, longe de ser uma obrigação, é um prazer, mas nem por isso deixa de tomar um tempo que, dados o volume de trabalho e estudos aos quais tenho me dedicado, se faz precioso. Vida pessoal também é necessária, por isso aproveitei para rever muitos amigos, passar bastante tempo com meus pais e com a minha amada companheira.

Mas isso não significou minha ausência completa da esfera virtual. Tudo isso me proporcionou saúde e fôlego suficientes para, como Secretário de Comunicação da Juventude do PDT no DF, criar e alimentar de informações o blog da Juventude. Claro que os textos postados por lá interessam mais a quem é filiado ao partido, mas, independente de coloração partidária, aguardo a sua visita por lá.

Enfim, é muito bom voltar e poder reencontrar, ainda que virtualmente, tantas amigas e amigos queridos! Sejam bem vindos ao meu regresso! :)