domingo, 8 de abril de 2012

Mensagem de pesar

Este blog está de luto em homenagem ao colega servidor público Saulo Batista Jansen. Natural de Pernambuco, jovem, fazia o que muitos dos servidores também aproveitaram o feriado para fazer: descansar e se divertir ao lado da família e amigos. Analista do Banco Central, enfrentou a árdua luta para ingressar na carreira por meio dos concorridos concursos públicos. Esperava encontrar em Brasília um local mais tranquilo para trabalhar e viver com a família.

No entanto, foi surpreendido com um tiro que sequer tinha destino certo. Foi privado, de forma violenta e covarde, de seguir sua vida ao lado de seus entes queridos. A exemplo de muitos e muitos jovens, tinha ainda muito a aproveitar da vida, e muito a servir ao País. O que lhe aconteceu deixará essa Páscoa, em Brasília, com uma forte marca de tristeza e indignação.

O morador do Distrito Federal hoje tem medo. Medo de sair de casa. Medo de esperar alguém no carro. Medo até de ficar em casa. Até quando isso irá continuar? Que a Páscoa possa nos trazer respostas, possa gerar reflexões em nossos mandatários, possa acalmar o coração dos familiares de Saulo e de todos aqueles que perderam um ente querido em razão da violência gratuita, ou da omissão, ou do descaso, ou de todas essas causas reunidas. Mas que esses acontecimentos possam também despertar em todos nós o sentimento de cuidarmos mais da nossa comunidade.

Esse cuidado pode se dar de muitas formas. É o caso de atuarmos mais pela coletividade, seja pela política, seja como síndicos ou presidentes de associações, ou ainda na própria condição de cidadãos. Seja qual for a forma que escolhermos para tanto, o importante é participarmos das tomadas de decisões que afetam nossas vidas. Só assim poderemos ter uma expectativa de melhora para o Distrito Federal no curto prazo. Enquanto acharmos que não precisamos nos envolver com as questões da coletividade, poderemos continuar a ver notícias tristes como essa estampando os nossos jornais.

Que os familiares e amigos de Saulo recebam os mais profundos sentimentos de pesar, em meu nome e da minha família, e de todos os amigos e amigas leitores deste blog.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tenho vocação para o serviço público?

Já abordei o tema em outras oportunidades aqui no blog, e cabe abordar novamente. Essa talvez seja a pergunta que boa parte dos atuais estudantes que buscam ingressar no serviço público deveria se fazer. Se respondida de maneira coerente, evitaria uma série de frustrações por parte do futuro servidor, que pode lograr êxito em sua intenção de ser aprovado, mas vir a ser um servidor descompromissado com a função pública e insatisfeito em sua vida pessoal.

Uma grande responsável por essa dissonância entre os objetivos pessoais do estudante e o serviço público é a forma de divulgação que alguns cursos preparatórios utilizam para anunciar os seus serviços. Muitas vezes, em vez de ressaltar as atividades do cargo objeto daqueles estudos de preparação, enfatizam o salário e a estabilidade a serem alcançados após a aprovação no exame.

Alguns empresários do setor chegam a mencionar as "merecidas férias que você poderá tirar" após a aprovação, "a viagem ao exterior", "os benefícios da jornada de trabalho", sem sequer explicar aos estudantes qual o papel social que aquele servidor terá de desempenhar. Vende-se indiretamente a idéia de que o estudante deve estudar obcecadamente até conseguir a aprovação em algum concurso, colocando tal aprovação no certame como um objetivo de vida a ser alcançado. E a errada ilusão de que, uma vez alcançado, esse seria um ponto final.

A aprovação no concurso é apenas o início. Início de uma carreira no setor público, onde o futuro servidor irá desenvolver as atividades de seu cargo, compatíveis com a missão institucional do órgão ou entidade a que irá servir. Para desempenhar bem suas atividades, é necessário conhecer o papel da instituição, os projetos que desenvolve, as matérias de sua competência, e identificar, ainda antes de começar firmemente sua preparação, se possui real afinidade com aqueles temas.

Outro ponto capaz de gerar grande insatisfação é a pressão dos familiares pelo ingresso dos filhos no serviço público. Os pais passam a insistir cada vez mais para que os filhos ingressem numa carreira pública - na qual muitas das vezes os filhos não gostariam de atuar -, em busca da tranquilidade de ver os herdeiros "bem encaminhados". Mas, com isso, os pais podem estar cerceando talentos que poderiam ser melhor aproveitados pelos seus filhos em outras áreas.

Quem busca ingressar no serviço público não deve querer fazê-lo pela estabilidade, pelo salário ou por pressão familiar. Deve fazê-lo por vocação. Assim deve ser exercida qualquer atividade. E o profissional que tem vocação para o que faz e faz o que gosta tende a ser bem sucedido, seja no serviço público, seja na iniciativa privada, nas artes, na academia...

Quanto ao setor público, é necessário saber que nele há muito trabalho a se fazer. E esse trabalho terá vantagens e desvantagens em relação à iniciativa privada. Nele, como em qualquer outro lugar, o futuro servidor terá metas a cumprir, será exigido, enfrentará algumas dificuldades e terá algumas chateações. Mas, se essa for realmente a vocação do estudante, se sentirá realizado, após consolidar a sua carreira, ao perceber que está servindo à população, prestando um serviço relevante ao País.

E você, tem vocação para o serviço público?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carreira internacional

O serviço público oferece boas oportunidades para quem deseja atuar no âmbito das relações internacionais. Quem deseja trabalhar no Ministério das Relações Exteriores e possui diploma de nível superior pode disputar vagas para os cargos de Oficial de Chancelaria e Diplomata. O primeiro, cargo de nível superior da área administrativa do quadro do Serviço Exterior Brasileiro, permite trabalhar na sede do Ministério ou em qualquer das repartições consulares e embaixadas que o Brasil possui por todo o mundo, em atividades de gestão administrativa e/ou assessoramento aos diplomatas, e oferece remuneração em torno de R$ 6.000,00 no Brasil.

E, claro, há a carreira de diplomata, que desperta o interesse de milhares de candidatos que disputam anualmente os concorridos concursos de ingresso, realizados em diversas etapas, e à qual incumbem "atividades de natureza diplomática e consular, em seus aspectos específicos de representação, negociação, informação e proteção de interesses brasileiros no campo internacional" (atribuições previstas na Lei 11.440/2006). É uma carreira que exerce fascínio sobre milhares de jovens no nosso País, ainda mais após a intensificação da atuação diplomática brasileira a partir do Governo Lula.

O concurso de 2012 para admissão à carreira diplomática está com inscrições abertas até o dia 12 de fevereiro. O edital prevê o preenchimento de 30 vagas, com uma remuneração inicial de R$ 12.962,12. Agora, quem pretende começar os estudos para qualquer das duas carreiras a partir de agora, deve estar atento à tramitação do PLC 122/2011 no Senado Federal. O projeto de lei, de autoria do Poder Executivo, destina-se a criar 400 cargos na carreira de Diplomata e 893 na carreira de Oficial de Chancelaria.

Mas as oportunidades não param por aí. Quem tiver mais afinidade com as atividades de comércio exterior do que com a diplomacia propriamente dita, pode buscar a realização profissional na carreira de Analista de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Por meio da Portaria nº 608, publicada no Diário Oficial da União de 29/12/2011, foi autorizada a realização de concurso público para o preenchimento de 157 cargos. A banca examinadora será a ESAF.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Considerações sobre o (anti)consumismo

Frequentemente podemos ver alguém respeitado no meio acadêmico criticando o consumo exacerbado que toma conta da sociedade. No entanto, fazendo uma análise rápida, é possível observar que, geralmente, esse crítico do consumo já atingiu razoável sucesso na vida, usufrui de prestígio social, já adquiriu a maioria dos itens que sempre desejou. O crítico, já satisfeito com o sucesso financeiro que alcançou e realizado com sua inserção social, considera que não é necessário que os outros experimentem desses valores. Acaba partindo do raciocínio que, se ele conquistou, é fruto de êxito próprio e merecido. Se outro, ainda sem condições, quer conquistar, é pretensão exagerada.

O consumismo é uma disfunção natural do sistema capitalista. Deriva do consumo ao qual todos somos constantemente estimulados pelas datas comerciais, pelo aumento da renda que leva ao aumento do poder aquisitivo, pelo aquecimento da economia, pela publicidade. Tudo isso nos leva à vontade de ter, de conquistar. O estímulo ao consumo, portanto, não irá acabar. É parte importante do capitalismo. Mas, uma vez que esse é o sistema vigente, sendo que nem os partidos de cunho comunista ou socialista questionam sua prevalência, como fazer para torná-lo menos desigual?

O sistema capitalista, de bons valores como a livre iniciativa e o empreendedorismo, parte da premissa de que ao cidadão bastam a vontade, a capacidade e o esforço individuais para, sendo apto, conseguir realizar suas aspirações. E sabemos que não é sempre assim. Quem não tem estrutura, não nasce com boas condições familiares, financeiras, de acesso à saúde e à educação, esbarra em entraves muitas vezes complexos de superar sem algum tipo de auxílio. E esse auxílio pode vir justamente da educação. Uma educação crítica, que faça o cidadão entender o seu papel, o sistema no qual se insere, seus defeitos e virtudes, suas possibilidades. E ampliá-las ao extremo. Uma educação de qualidade. Integral.

Nesse momento entra em cena um agente muito importante: o Estado. Talvez esse seja o único ente capaz de tornar o sistema mais humano. Se o Estado tomar como sua responsabilidade cada cidadão, cada jovem que procura um futuro melhor nesse país, oferecendo condições dignas de acesso à educação, e consequentemente à saúde, ao exercício pleno dos direitos constitucionais e civis, e ao mercado de trabalho, será possível permitir aos que são desprezados pelo sistema vigente usufruir o seu direito de fazer parte dele na sua plenitude. Consumir, realizar vontades, planejar, sonhar e tentar alcançar. Tendo educação, trabalho e acesso ao consumo, viver um capitalismo de menos desigualdade e mais estímulos positivos ao crescimento pessoal e profissional. Caso contrário, estamos apenas dizendo ao mais fraco que ele precisa erguer um caminhão de 15 toneladas, sem qualquer ajuda, enquanto alguns privilegiados são os únicos a merecer - ou melhor, consumir - a tão sonhada felicidade.