domingo, 5 de outubro de 2008

Qualidade no atendimento

Caros leitores, não é novidade eu abordar o tema por aqui. Fico buscando a razão de uma cidade com habitantes de poder aquisitivo tão elevado, onde são cobrados os mais altos preços do país, ter um atendimento, em níveis gerais, tão aquém do esperado. Seja no transporte público ou no restaurante de luxo, seja no hospital ou na loja do shopping, seja no seu próprio prédio ou na oficina mecânica, a regra anda sendo o mau atendimento ao cliente-cidadão.

No mesmo dia você pode, pela manhã, se deparar com uma demora de duas horas para obter uma informação num hospital; sair combalido para ir almoçar e dar de cara com um besouro no prato, que demorou outras duas horas para ser servido - e ver a cara feia do gerente relutante em aceitar a devolução -; pegar um ônibus onde o motorista se nega a dizer o destino; chegar no seu prédio e não ser cumprimentado pelo porteiro; ligar para um órgão público para obter uma informação e ser transferido para 10 diferentes setores, onde sequer se oferecem para anotar seu recado; ligar para a empresa privada de telefonia e falar com 10 diferentes gravações, sendo transferido para dez diferentes atendentes e sem conseguir fazer o cancelamento que você desejava; e, ao final, ligar para um rádio táxi para poder sair de casa à noite - já que a oficina mecânica onde você deixou o carro para consertar não cumpriu o prazo de entrega -, e após 40 minutos de espera, descobrir que o seu pedido de táxi nem chegou a ser transmitido, porque está chovendo e a fila está grande.

Deixar todas as etapas da aferição da qualidade por conta do empresariado não dá certo. O lucro nem sempre combina com a prestação de um serviço digno à população. E o brasiliense, por falta de opção, por falta de sensibilização (quando vê o problema com o cliente ao lado, mas prefere ignorar, por no seu caso estar correndo tudo bem) ou talvez por ser muito bonachão, não deixa de freqüentar os locais onde é mal atendido. Para todos os exemplos reais citados no parágrafo anterior, há órgãos públicos, específicos ou gerais, encarregados da fiscalização. Estes precisam ser locais de excelência, a quem a população possa recorrer contra abusos na prestação de serviços. O Estado, pelo seu poder, é, ou deveria ser, a mão amiga da população na busca da prestação de serviços de qualidade. Hoje, a população se sente um pouco desamparada. A sensação é de que não há para quem reclamar, e se houver, não surtirá efeito a reclamação. Não há bom humor e qualidade de vida que resistam a tanto empecilho.

3 comentários:

火 PHEU Liz disse...

É uma vergonha o comércio aqui em Brasilia!Mas, o PROCON anda trabalhando bem, as pessoas que não tem hábito de ir atrás dos direitos em suas relações de consumo, lembram disso só a fim de outros benefícios e se frustram por não conseguirem, pois a intenção começou viciada! bjo

Emmanuella Murussi disse...

Realmente, a prestação de serviços em Brasília está beirando o caos.
Já fui vítima da maior parte das situações mencionadas no texto (inclusive, em um único dia chegou a acontecer mais de uma dessas situações), e posso afirmar que a sensação que se tem é que não há solução.
Mas, ainda tendo essa sensação e vendo casos e casos que não foram resolvidos ou melhorados, ainda vou continuar fazendo a minha parte, ou seja, reclamando e "incomodando" a quem deva ser "incomodado". Só assim, quem sabe, a coisa muda.

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Passei para desejar a você um bom final de semana.