
De conversa em conversa a gente vai aprendendo. Alguns anos atrás, num bar da cidade, encontrei um amigo, desde então ocupante de alto cargo da advocacia estatal, que já foi de tudo um pouco. Um cara bem de vida, super simples e extremamente cordial, mas que viveu muita história, de vida e de serviço público, até chegar ao cargo tão almejado. Ao comentar sobre um colega dele que não teve a mesma vivência, mas também é excelente profissional, ele me confidenciou: Cara, é ótima pessoa... ele só tem um problema: passou a vida inteira estudando, se preparando, e o primeiro concurso dele já foi esse nosso. Ele não andou pelas cidades de interior como eu e você, não parou para conversar com o mendigo na rua, nunca pegou um ônibus para voltar de uma festa. Por isso, muitas vezes ele não consegue compreender o verdadeiro problema que aquele cidadão, réu ou autor do processo, enfrenta. Ou mesmo as situações em razão das quais o problema chegou a acontecer, ou por que não foi solucionado a tempo pelo Estado.
Hoje eu conversava com um respeitado Embaixador brasileiro, que me brindou com muitas lições. Do alto da sua vivência nos meios diplomático e político, alertou para um problema comum às altas autoridades: o distanciamento da realidade. A pessoa investida num alto cargo acaba sendo cercada por uma estrutura eficiente, onde, pela relevância da função, existe um aparato burocrático organizado para que tudo funcione da melhor maneira, o que é louvável. O problema é que essa autoridade não raro acaba por acreditar que aquilo que vive é a realidade comum. E parece, para nós mortais, viver em outra cidade, ou outro país. O que afeta a população como um todo não é mais o que lhe afeta. Os problemas que o cidadão médio enfrenta passam para um plano que foge à realidade vivida por aquela autoridade, que pensa estarem todos vivendo dentro do seu padrão. Culpa de assessorias eficientes, mas que não conseguem mostrar e trazer a realidade aos chefes.
Por isso, deixo aqui uma recomendação às pessoas a quem esta postagem possa tocar: andem a pé ou de ônibus pelo menos uma vez por semana, sem equipe de seguranças, batedores e demais prerrogativas dos cargos. Sejam pessoas comuns pelo menos um dia da semana. Sejam vocês mesmos a ponte entre a verdade das ruas e a dos gabinetes.
Foto: Marcelo Terraza
Hoje eu conversava com um respeitado Embaixador brasileiro, que me brindou com muitas lições. Do alto da sua vivência nos meios diplomático e político, alertou para um problema comum às altas autoridades: o distanciamento da realidade. A pessoa investida num alto cargo acaba sendo cercada por uma estrutura eficiente, onde, pela relevância da função, existe um aparato burocrático organizado para que tudo funcione da melhor maneira, o que é louvável. O problema é que essa autoridade não raro acaba por acreditar que aquilo que vive é a realidade comum. E parece, para nós mortais, viver em outra cidade, ou outro país. O que afeta a população como um todo não é mais o que lhe afeta. Os problemas que o cidadão médio enfrenta passam para um plano que foge à realidade vivida por aquela autoridade, que pensa estarem todos vivendo dentro do seu padrão. Culpa de assessorias eficientes, mas que não conseguem mostrar e trazer a realidade aos chefes.
Por isso, deixo aqui uma recomendação às pessoas a quem esta postagem possa tocar: andem a pé ou de ônibus pelo menos uma vez por semana, sem equipe de seguranças, batedores e demais prerrogativas dos cargos. Sejam pessoas comuns pelo menos um dia da semana. Sejam vocês mesmos a ponte entre a verdade das ruas e a dos gabinetes.
Foto: Marcelo Terraza

3 comentários:
Caro Alex.Écomo digo sempre, não é o poder que corrompe o homem, este já vai para lá cheio de tendências negativas e aí concretiza-se o velho ditado: "é a ocasião que faz o ladrão". Portanto, cabe ao gestor, se sercar de assessores, também em afinidades. Com certeza isso nunca od eixará fora da realidade, nem tão pouco da ética. Grande abraço. Antônio Leitão
Oi Alex,
O poder cega, anula, anestesia, acomoda e dissipa sonhos e ideias.
É necessário que ecoem palavras como essas, que de forma simples e animadora, podem despertar gigantes entorpecidos. Bravo!
Sera que algum dia os nossos governantes sentiram o cheiro do povo ( tirando os anos eleitorais)
Parabens pelo artigo
Sucesso - abraços
Pedro
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